domingo, 23 de novembro de 2014





A atuação dos inseticidas na seleção artificial de vetores resistentes

O combate às doenças tropicais no cenário mundial se apresenta como um importante desafio para os profissionais da área da saúde. No combate aos organismos que transmitem tais doenças utilizou-se ao longo da história os inseticidas com propriedades químicas bioacumulativas e contaminantes. No entanto, essa estratégia leva ao surgimento de populações de mosquitos resistentes, além de não ser específico, apresentando toxicidade para outros animais além de prejudicar o meio ambiente.
            Os inseticidas tem sido bastante usados, tanto na agricultura, na pecuária quanto na Saúde Pública. Um dos principais problemas referente ao uso prolongado se dá pelo aparecimento de populações resistentes ocasionando assim problemas no controle de vetores. A resistência aqui citada tem sido detectada para todas as classes de inseticidas afetando direta e profundamente a reincidência de doenças transmitidas por esses organismos.


A resistência a inseticidas pode ser pensada como um processo de evolução acelerada que responde a uma intensa pressão seletiva, com a consequente sobrevivência dos indivíduos que possuem alelos que conferem resistência. Dessa forma, a resistência é pré-adaptativa resultado de mutações oportunas, assim um pequeno número de indivíduos possui características que permitem sua sobrevivência sob doses de inseticidas normalmente letais, o inseticida em si não produz uma mudança genética, mas seu uso prolongado pode selecionar indivíduos resistentes, isso obriga o homem a buscar inseticidas cada vez mais fortes.


Nos últimos anos tem se descoberto técnicas alternativas de combate aos mosquitos transmissores de doenças como dengue, febre amarela e malária, destacando-se, por exemplo, os bioinseticidas que se caracterizam pelo combate aos insetos sem necessitar da presença de substancias tóxicas.
Talvez essa prática seja a mais eficaz no combate às doenças tropicais de maior emergência como é o caso da dengue, febre amarela e malária, mas as pesquisas ainda estão no inicio e nem todos os países que sofrem com essas doenças apresentam uma estrutura tecnológica e científica capaz de produzir resultados satisfatórios. De qualquer forma, a utilização de medidas de controle devem estar sempre fortemente ligada a uma campanha de esclarecimento que informe a importância da população no combate a esse mosquito, evitando sua proliferação, destruindo criadouros.

Fontes:
http://www.fmb.edu.br/revista/edicoes/vol_1_num_2/dengue.pdf

http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v16n4/v16n4a06.pdf

6 comentários:

  1. Os inseticidas foram e são considerados ainda ótimos vetores contra pragas, o problema no seu uso e manuseio se dá por possíveis intoxicações e a seleção forçada de espécies de insetos que se tornam mais resistentes, os inseticidas se apresentam para uso doméstico e na lavoura, no controle de pragas, conhecidos por agrotóxicos, os inseticidas são bioacumulativos podendo gerar grave poluição do meio ambiente e provocar uma série de efeitos nas cadeias alimentares. Uma alternativa ao uso de defensivos químicos, é o controle biológico, pelos chamados bioinseticidas que são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos e que não contêm substâncias químicas, sendo inofensivos à saúde do homem, animais e plantas. Um dos ramos do controle biológico é o controle microbiano que trata da utilização racional de bactérias, fungos, vírus e nematóides para o controle de insetos pragas. Apesar do uso desses organismos representar apenas 1% do mercado total de produtos para proteção de plantas, nos últimos anos, um número significativo de pesquisas promoveu o aumento da quantidade de produtos disponíveis e ampliou as perspectivas para o mercado. A tecnologia desenvolvida no Brasil permitiu que grandes culturas como a cana-de-açúcar e a soja concentrassem os maiores programas mundiais utilizando patógenos de insetos. Esses programas são responsáveis pelo tratamento biológico de aproximadamente 2,5 milhões de hectares de cana e soja por ano. Além disso, os bioinseticidas são utilizados no combate a mosquito e pesquisas estão voltadas ao combate do mosquito da dengue.

    Fonte:
    http://hotsites.sct.embrapa.br/prosarural/programacao/2007/bioinseticidas-inovacao-e-qualidade-de-vida
    www.biologico.sp.gov.br/bioinseticidas.php


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  2. A resistência aos inseticidas é definida pelo Insecticides Resistance Action Committee como: "Uma alteração herdável da sensibilidade de uma população de pragas refletida na falha recorrente de um produto em alcançar o nível esperado de controle quando usado de acordo com as recomendações do rótulo para essa espécie de praga".
    Assim, os inseticidas representam uma pressão seletiva que permite que indivíduos resistentes cresçam em número em uma dada população caso a pressão seletiva seja repetidamente aplicada. A seleção e o desenvolvimento da resistência a inseticidas é uma ameaça real e iminente, especialmente em áreas nas quais inseticidas são aplicados de maneira incorreta, excessiva ou sem monitoramento apropriado.
    O grande problema é que a indústria de inseticidas lida com produtos à base de apenas 4 químicos: organoclorinas, organofosforados, carbamatos e piretróides.
    Esses quatro grupos de inseticidas agem somente sobre em dois diferentes sítios e representam somente três modos de ação. Os organofosforados e carbamatos inibem a atividade da enzima acetilcolinesterase (uma enzima de importância fundamental na eliminação dos impulsos nervosos). Contudo, os carbamatos diferem dos organofosforados no fato de sua inibição ser reversível. Os piretroides e o DDT são moduladores dos canais de sódio dependentes de voltagem.
    A Bayer, uma empresa líder no segmento, desenvolve estudos importantíssimos para o desenvolvimento deste setor, e portanto, contribui com o desenvolvimento de técnicas eficazes e menos danosas ao meio ambiente, tendo em vista a possibilidade de uma contaminação agrícola desnecessária ou ainda do aumento do número de vetores.
    DIante disso, é importante ter em mente a necessidade de uma fiscalização constante por meio da ANVISA, por meio de seus agentes, nos mais diferentes setores, controlando a venda, distribuição e aplicação desse produto. Como é sabido, muitos inseticidas são altamente prejudiciais ao meio ambiente e ao homem, sobretudo quando há magnificação trófica de seus compostos, pondo em cheque a saúde de uma população por conta de uma intoxicação alimentar, por exemplo.
    Sugiro uma abordagem em postagens futuras sobre EUTROFIZAÇÃO, processo decorrente do acúmulo de material e poluentes orgânicos nas águas, afetando a vida de quem depende dessas.

    FONTE:
    http://www.vectorcontrol.bayer.com/bayer/cropscience/bes_vectorcontrol.nsf/id/BR_insecticides_resistance

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  3. É mais um problema dos inseticidas. Não é porque ele modifica os organismo e daí surgem super insetos resistente, não. O que ocorre é que os insetos que já desenvolveram aleatoriamente uma resistência são selecionados, passam a se proliferar e novos inseticidas tem de ser desenvolvidos. Outro problema é os inseticidas não matam apenas insetos, eles são também tóxicos para outros seres vivos, podendo desestabilizar toda cadeia alimentar e se acumular nela causando desequilíbrio ambiental. Contudo, alternativas têm surgido como os citados bioinseticidas, mas também existe o controle biológico. Outra opção interessante é a liberação de organismos modificados, isso já foi testado em mosquitos da dengue com a liberação de machos modificados para se reproduzirem com as fêmeas gerando larvas que não poderão chegar à fase adulta.

    Fonte:http://www.mundoeducacao.com/curiosidades/controle-biologico-mosquito-dengue.htm

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  4. O uso de produtos tóxicos na tentativa de controlar pragas é uma péssima alternativa uma vez que, como foi explicado no post, promove a seleção de seres cada vez mais resistentes, levando a necessidade de se usar inseticidas cada vez mais fortes que podem contaminar o solo e as águas e, por meio da acumulação nas cadeias alimentares ( o que é conhecido como magnificação trófica) afetar próprio ser humano. Nesse contexto tem-se crescido a busca pela utilização de técnicas menos agressivas para combater pragas, sendo que uma boa alternativa é o controle biológico, onde são inseridos nas plantações indivíduos que são predadores naturais da praga que é o problema. Essa técnica oferece um meio muito menos agressivo ( mais "verde") para se controlar pragas.

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  5. A seleção natural é algo presente na natureza desde o início dos tempos, conforme retrato pela literatura, e tem sido responsável pela perpetuação de todas as espécies presentes, consistindo no melhor aproveitamento de uma característica exclusiva de poucos indivíduos que por acaso, contribuiu com uma nova condição que devastou os outros indivíduos.
    Para os insetos, em especial aos causadores de doenças, não tem sido diferente e assim, torna-se indispensável a busca constante por novas técnicas e modalidades capazes de driblar as novas variações.
    Um aspecto importante e fundamental é a estrutura que o estado/governo deve prover à sociedade, pois condições inadequadas de saneamento básico tornam-se propícias ao desenvolvimento destes vetores de doenças.
    O grande problema da busca ou melhoramento dos inseticidas consiste que eles vão agir sobre estruturas ou processos importantes no metabolismo destes organismo e como há algumas características comuns, tais inseticidas acabam por agir sobre o organismo humano como ação sobre a acetilcolinesterase, Inibição enzimática, organofosforados e carbamatos, Inibição da Cadeia de Transporte de Elétrons dentre outros processos.

    FONTE:

    Química Verde. Disponivel em http://cann.scrantonfaculty.com/biochemistry/biochemistrymoduleport.html Acesso 27 Nov 2014

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  6. A toxicidade de uma substância química em insetos não a qualifica como inseticida. Diversas propriedades devem estar associadas à atividade, tais como eficácia mesmo em baixas concentrações, ausência de toxidez frente a mamíferos e animais superiores, ausência de fitotoxicidade (toxicidade em plantas), fácil obtenção, manipulação e aplicação, viabilidade econômica e não ser cumulativo no tecido adiposo (gordura) de seres humanos e de animais domésticos. Essas características são referentes a um inseticida tido como ideal.
    O problema é que não existe inseticida ideal. Isso porque ou ele traz algum prejuízo de intoxicação ao homem, ou acaba por ocasionar uma seleção de insetos resistentes, como foi falado na postagem.
    No Brasil por sua vez, os primeiros relatos de populações de insetos resistentes a inseticidas datam do final da década de 1960 graças ao esforço pioneiro da Dra. Esmeralda Mello, do Instituto Biológico. Esses estudos, contudo, não foram objeto de maiores atenções no país até relatos mais recentes de falhas de controle acontecidas na proteção contra insetos em grãos armazenados, pomares e hortas. Caruncho-do-milho (Sitophilus zeamais), besourinho-dos-cereais (Rhyzopertha dominica), traça-do-tomateiro (Tuta absoluta), bicho-mineiro-do-cafeeiro (Leucoptera (=Perileucoptera) coffeella), mosca branca (Bemisia tabaci, raça B), traça-das-crucíferas (Plutella xylostella), lagarta-do-cartucho-do-milho (Spodoptera frugiperda), ácaro-da-leprose-do-citros (Brevipalpus phoenicis), e curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argillacea) são algumas espécies de insetos-pragas da agricultura que vem sendo mais intensamente investigados no Brasil quanto à ocorrência de populações resistentes a inseticidas graças, dentre outras coisas, ao esforço dos poucos pesquisadores brasileiros que atuam na área e ao incentivo que tem sido dado pelo Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Inseticidas (IRAC-BR), fundado em 1997.
    As conseqüências primárias do surgimento de populações de insetos resistentes a inseticidas são: 1) aumento da freqüência das aplicações de inseticidas, 2) aumento da dose do produto aplicado e 3) sua eventual substituição por outro composto. Em termos financeiros, o preço da resistência a inseticidas, estimado a partir de perdas de colheita e elevação do custo de controle de insetos, é assustador. Ele atinge a cifra de US$ 1 bilhão nos Estados Unidos, apenas no controle de lagartas e besouros. Outro custo envolvido acontece quando um inseticida torna-se ineficaz, devido à resistência, podendo ser considerado perdido para sempre. Tal fato compromete um investimento superior a US$ 120 milhões no desenvolvimento de uma nova molécula inseticida atualmente, além de um período de 10 anos desde a sua concepção até sua comercialização.
    Para amenizar esse problema, é necessário investir em outras formas de controle de pragas, especialmente o controle biológico. Além disso investir em pesquisas sobre as espécies resistentes para evitar que causem problemas ainda maiores.
    Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/site/content/artigos/artigos.php?id=82
    http://www.baratas.net.br/baratas-impacto-uso-inseticidas-no-meio-ambiente.htm

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