terça-feira, 28 de outubro de 2014



O DDT e mal de Alzheimer

O mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca a falência das funções intelectuais, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social. A doença é progressiva e com a evolução do quadro, causa um grande impacto na vida da pessoa afetando a sua capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e linguagem. Do ponto de vista neuropatológico, observa-se no cérebro de pessoas com Alzheimer atrofia cortical difusa, a presença de grande número de placas senis e novelos neurofibrilares, degeneração grânulo-vasculares e perda neuronal. Os transtornos na transmissão da acetilcolina e acetiltransferase ocorrem com frequência nas pessoas afetadas.
            O fator genético é considerado atualmente como preponderante na etiopatogenia do mal de Alzheimer entre diversos fatores relacionados. Além do componente genético, foram apontados como agentes etiológicos: a toxicidade a agentes infecciosos, o alumínio, os radicais livres de oxigênio, os aminoácidos neurotóxicos e a ocorrência de danos em microtúbluos e proteínas associadas.
            Um estudo recente mostrou que pessoas que foram expostas ao pesticida DDT apresentam maiores riscos de adquirirem o mal d Alzheimer, não se trata de uma comprovação, mas essa pode ser mais uma peça a se considerar no complexo quebra cabeças da doença. Além disso, ainda é possível encontrar a molécula no ambiente, já que ele se acumula na cadeia alimentar. De acordo com a equipe da Universidade Rutgers (Estados Unidos), liderada por Jason Richardson, depois que o DDT é ingerido no organismo, ele é metabolizado e os produtos dessas reações de metabolização ficam no sangue. O pesquisador descobriu que portadores do mal de Alzheimer que estão em fase avançada possuem altos índices desses produtos da metabolização do DDT.
            A boa notícia é que a partir dessa descoberta, é possível estudar as pessoas que tiveram contato com o DDT em algum momento de sua vida, fornecendo um diagnóstico mais rápido da doença, e até mesmo tentar trata-las antes dos sintomas começarem a aparecer. Os cientistas também viram que não é por que uma pessoa teve contato com o DDT que necessariamente terá o mal de Alzheimer. O DDT não tem o mesmo efeito em todas as pessoas, para desenvolver a doença, a pessoa precisa ter uma predisposição genética, pois sabe-se que o gene ApoE4 aumenta o risco para o desenvolvimento da doença e a exposição ao DDT ainda está associada à presença dos sintomas mais severos da doença. O próximo passo da pesquisa é descobrir como os pesticidas interagem com o gene ApoE4.

Referências

SMITH, Marília de Arruda Cardoso. Doença de Alzheimer. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v21s2/v21s2a03.pdf. Acesso em 28/10/2014.


GOULART, Frederico. Estudo liga o uso do pesticida DDT ao mal de Alzheimer. Revista Eletrônica o GLOBO, 2014. Disponível em: < http://oglobo.globo.com/saude/estudo-liga-uso-do-pesticida-ddt-ao-mal-de-alzheimer-11425100#ixzz2rtIFR9Wj>. Acesso em 28/10/2014.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014






Os fertilizantes orgânicos, os pesticidas e suas relações com os POPs

Os fertilizantes são compostos químicos utilizados na agricultura para aumentar a quantidade de nutrientes do solo e, consequentemente, conseguir um ganho de produtividade. Entretanto, os prejuízos podem acontecer em diferentes níveis podendo até mesmo desencadear sérios riscos à saúde humana. Entre os principais problemas do uso indiscriminado de fertilizantes químicos estão: a degradação da qualidade do solo, a poluição das fontes de água e da atmosfera e o aumento da resistência à pragas.
Inicialmente conhecem-se dois tipos de fertilizantes agrícolas, inorgânicos e orgânicos, estes últimos são amplamente defendidos por vários profissionais pelo fato de utilizarem dejetos orgânicos como restos alimentares ou estercos, dessa forma a concentração de contaminantes teoricamente seria pequena. Entretanto, há a necessidade de se conhecer a composição e a localização onde esses produtos gerados, esse procedimento pode evitar, por exemplo, a contaminação por poluentes orgânicos persistentes.
Os defensivos agrícolas são usados no combate a animais nocivos (insetos e roedores) ou a ervas daninhas e podem alcançar o solo, aí permanecendo por muito tempo, como ocorre com os inseticidas clorados orgânicos, os quais tem alta persistência. A partir do solo, esses produtos químicos são carreados para as águas superficiais ou subterrâneas, com riscos para o homem e outros animais.
Imagine a situação onde uma plantação de soja é tratada com pesticidas que contenham diversas substâncias, destacando-se a presença de organoclorados, esta soja é utilizada na produção de ração alimentar para aves e suínos, estes ao serem abatidas fornecem carne que será consumida por pessoas e parte de suas vísceras juntamente com o esterco são utilizados por agricultores como fertilizantes orgânicos em plantações de frutas, verduras e outros. Observa-se aí um exemplo prático da transferência de poluentes persistentes como os organoclorados em diversos níveis tróficos em uma cadeia alimentar.
Ressalta-se aqui a importância dos fertilizantes orgânicos obtidos por meio de processo de compostagem que integram uma série de medidas que tornam o produto o mais seguro possível. Com esse procedimento, os riscos de contaminação diminuem e os resultados podem potencializar a produção de alimentos orgânicos mais saudáveis.
VAZ (2000) ressalta que os resíduos orgânicos comumente utilizados nas práticas agrícolas (estercos, lodos, lixo urbano, entre outros), de um modo geral, podem veicular microrganismos patogênicos e causar perigo para a saúde pública. Já, os fertilizantes compostos, desde que bem operados, possibilitam o aproveitamento seguro dos resíduos orgânicos, pois ocorre a eliminação dos microrganismos patogênicos durante o processo de compostagem.

Referências

PIRES, Adriana M. Moreno. Avaliação da viabilidade do uso de resíduos na agricultura. Embrapa: circular técnica 19. Jaguariúna/SP, 2008.


VAZ, L. M. S. Crescimento inicial, fertilidade do solo e nutrição de um povoamento de Eucalyptus grandis fertilizado com biossólido. 2000. 41 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Florestais) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 2000.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Dioxinas e Furanos: os vilões indesejados nos processos industriais

As dioxinas e furanos são uma classe de compostos químicos amplamente reconhecidos como algumas das substâncias mais tóxicas produzidas pelo homem. Frequentemente reconhecidas apenas como dioxinas, as dioxinas e furanos não tem utilidade própria e são produzidos como produtos secundários indesejados de processos industriais como a fabricação do PVC, a produção de agrotóxicos, a incineração, o branqueamento de papel e da polpa da celulose com cloro e a fusão e reciclagem de metais.
Uma vez lançadas no ambiente, as dioxinas se mostram altamente estáveis podendo se alastrar por grandes distâncias, ao serem incorporadas nos organismos vivos elas se acumulam e apresentam um alto nível de magnificação trófica. Nos animais a sua atuação é mais evidente, pode ser observada em vários tecidos, até mesmo no sangue e no leite materno. Um de seus efeitos mais evidentes se dá durante o desenvolvimento fetal acarretando em deformações físicas e funcionais dos indivíduos, além de ser uma substância altamente cancerígena.
A exposição humana a altos níveis de dioxinas/furanos por curto prazo pode resultar em lesões na pele, como cloracne, e alterações no fígado. A exposição crônica às dioxinas é associada a danos aos sistemas imunológico, nervoso, endócrino e funções reprodutivas. Estudos com crianças indicaram atraso no neurodesenvolvimento e efeitos neurocomportamentais, incluindo hipotonia neonatal.
Sua estrutura molecular básica revela a presença de dois anéis benzênicos unidos por átomos de oxigênio e apresentando dois átomos de cloro em cada uma das extremidades longitudinais. Na estrutura abaixo temos uma das dioxinas mais nocivas à saúde humana, a 2,3,7,8 – TCDD, ou 2,3,7,8 – tetraclodibenzeno-p-dioxina:


As dioxinas são sempre subprodutos indesejáveis, que nunca se produzem intencionalmente, elas provêm essencialmente de processos químicos industriais e processos térmicos (de combustão) especialmente quando estão envolvidas temperaturas baixas, entre 250º- 350ºC, que favorecem a sua formação. Se a produção de compostos relacionados com as dioxinas é praticamente impossível de evitar, a sua redução é possível.
Evitar a exposição a este compostos não é fácil devido à sua ubiquidade mas alguns cuidados podem ser tomados para diminuir o risco. Particularmente em relação às crianças, deve evitar-se que brinquem em solos próximos a fontes emissoras e/ou contaminados em níveis elevados e que coloquem brinquedos sujos na boca. Toda a população deve lavar frequentemente as mãos se está perto de fontes emissoras.

  
A exposição humana a dioxinas tem a ver, essencialmente, com a ingestão de alimentos contaminados. Uma vez que as dioxinas são lipossolúveis e muito pouco susceptíveis à degradação, elas acumulam-se no topo da cadeia alimentar e especialmente nos alimentos mais ricos em gorduras, sendo que a carne de vaca assume particular relevância.

REFERÊNCIAS
GASPAR, Jorge. Dioxinas: origem e efeitos na população humana. 2001. Disponível em: . Acesso em: 08/10/2014.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Noções preliminares sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes “POPs”

Com o avanço da Ciência e da Tecnologia, a maior parte dos produtos utilizados em nosso cotidiano, de alguma forma se beneficia do uso de produtos químicos industrializados. Nessas condições surgem os Poluentes Orgânicos Persistentes que até bem pouco tempo eram chamados Organoclorados. Esses produtos se apresentam como importantes agentes tóxicos aos ambientes naturais e em especial ao desenvolvimento dos organismos vivos.
Os Poluentes Orgânicos Persistentes, conhecidos como POPs, são compostos altamente estáveis e que persistem no meio ambiente, resistindo à degradação química, fotolítica e biológica. São tóxicos para os seres vivos, pois tem a capacidade de bioacumular-se, são também, em sua maioria, lipofílicos distribuindo-se assim no interior das membranas celulares e depósitos de gorduras. Os POPs atuam negativamente também nos sistemas reprodutivo, imunológico e endócrino, sendo também apontado como cancerígenos. As propriedades dos POPs lhes conferem a capacidade de causar danos ambientais mesmo em baixas concentrações, dentre as quais, destacam-se:
·      Sua estabilidade, e, portanto persistência, faz com que seus efeitos perdurem e que possam ser largamente dispersos antes de se decomporem;
·      A bioacumulação que ocorre pela sua solubilidade em gorduras favorece sua acumulação nos tecidos;
·      A biomagnificação decorre da sua capacidade de aumentar a sua concentração na direção do topo da cadeia alimentar;
·      A sua capacidade de transporte a longas distâncias, consequência de sua estabilidade, processo conhecido como lixiviação.
Os POPs até hoje identificados, pertencem a três categorias de substâncias:
1) Os inseticidas deliberadamente dispersos em terras agriculturáveis;
2) Os produtos industriais cuja dispersão ambiental foi não intencional e;
3) Os subprodutos de vários tipos de manufaturas ou processos de combustão;
As primeiras evidências do perigo potencial destes compostos surgiram há mais do que 50 anos atrás quando foram descobertos resíduos de DDT em tecido adiposo humano e no leite materno. De lá para cá, foram muitos os relatos de aplicações destes produtos em diversas áreas da indústria, da agricultura, etc. Os POPs tornaram-se contaminantes comuns nos peixes, nos laticínios e em outros alimentos em escala mundial. Graças a sua propriedade de se acumular no tecido adiposo, provavelmente um sem número de pessoas pode ter estoques de POPs em seus corpos capazes de causar sérios problemas de saúde no seu aparelho reprodutivo, no seu sistema imunológico, desenvolverem câncer e, quando crianças apresentarem problemas de desenvolvimento.
Como fatos a nosso favor destaca-se que estes compostos não são mutagênicos, os efeitos de sua exposição podem ser revertidos. Além disso, cresceu consideravelmente o interesse científico neste assunto conforme atestam o grande número de publicações científicas. Ações intergovernamentais também se intensificaram nos últimos anos, tendo culminado na Convenção de Estocolmo que resultou na proibição de 12 POPs nos processos industriais (DDT, Aldrin, clordano, Dieldrin, Endrin, Heptacloro, Mirex, Toxafeno, Bifenilas Policloradas, Hexaclorobenzeno, Dioxinas e Furanos).
Porem, de acordo com o Greenpeace, existem numerosos outros POPs que também são contaminantes ambientais e trazem grande preocupação. O pentaclrofenol, os retardadores de chama bromatados, os compostos organotínicos (usados como agentes antiincrustantes em navios), as parafinas cloradas de cadeia curta (usadas, por exemplo, em óleos de corte em metalurgia e como lubrificante. GREENPEACE, 2001.
Os seres humanos podem ser expostos aos POPs através da alimentação, de acidentes e através da poluição ambiental. Algumas atividades de alto risco englobam a agricultura e a manipulação de resíduos perigosos. Por outro lado, deficientes condições de trabalho; falta de formação e a utilização de equipamento inadequado, são aspectos que fazem com que os riscos de exposição dos trabalhadores da indústria química sejam elevados. Nos últimos anos, houve registros de casos de exposição à POPs, que têm resultado num grande número de doenças e mortes.
Na próxima postagem faremos uma listagem dos principais POPs apresentando as suas estruturas químicas, suas aplicações e os efeitos do acúmulo destes na espécie humana.

Referências bibliográficas
FRUTUOSO, A; SILVA, M. Poluentes Orgânicos Persistentes. AEP – Ambiente, 2001.

POLUENTES ORGÂNICOS PERSISTENTES: POLUIÇÃO INVISÍVEL E GLOBAL. http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/poluentes.pdf