Convivendo com os agrotóxicos
Em 2008 o Brasil
assumiu a colocação de maior consumidor de agrotóxicos do mundo, segundo
levantamento realizado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para
Defesa Agrícola (SINDAG), as vendas de agrotóxicos somaram US$ 7,1 bilhões.
Talvez isso se deva ao imenso protagonismo do agronegócio que se preserva basicamente
na prática das monoculturas. Sabe-se que nessas práticas as plantações ficam
sujeitas ao ataque constante de pragas devastadoras, daí vem a necessidade do
uso intenso de produtos químicos no combate a esses agentes.
Os agrotóxicos utilizados no Brasil
são classificados de acordo com sua finalidade, sendo definidos pelo seu
mecanismo de ação no alvo biológico, sendo os mais comuns, plantas daninhas,
doenças e pragas de espécies agrícolas cultivadas. Neste mercado, os herbicidas
(48%), inseticidas (25%) e fungicidas (22%) movimentam 95% do consumo mundial
de agrotóxicos.

Os problemas gerados pelo uso dos
agrotóxicos podem ser devastadores não apenas pelo fato de haver o princípio da
bioacumulação, mas há também os problemas gerados durante a aplicação do
produto nas plantações. Fica muito difícil alegar que esses problemas sejam
decorrentes da utilização, mas sim pelo uso inadequado uma vez que a rigidez e
evolução da legislação e do sistema de registro garantem que os produtos
colocados à disposição sejam seguros quando bem utilizados.
A contaminação por agrotóxicos é um
tema que vem despertando atenção crescente, tendo em vista suas consequências
para a saúde humana e o risco de degradação do meio ambiente, causados por seu
uso crescente a às vezes inadequado. A toxicidade dos agrotóxicos é variável e
depende das propriedades dos ingredientes ativos do produto. Os efeitos dos
agrotóxicos podem ser agudo, subcrônicos e crônicos. Esses efeitos podem
interferir na fisiologia, no comportamento e na reprodução dos organismos.
A toxicidade se dá em função também
do tempo de persistência do produto no ambiente e da relação direta e intensa
dos aplicadores nas plantações. Os agrotóxicos podem interferir nos processos
básicos do ecossistema, como a respiração do solo, ciclagem de nutrientes,
mortandade de peixes ou aves, bem como na redução de suas plantações, entre
outros efeitos.
Fonte: TAVELA, L. B.;
SILVA, I. N.; FONTES, L. O. O uso de agrotóxicos na agricultura e suas
consequências toxicológicas e ambientais. ACSSA, 2011.




