Noções
preliminares sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes “POPs”
Com o avanço da Ciência e
da Tecnologia, a maior parte dos produtos utilizados em nosso cotidiano, de
alguma forma se beneficia do uso de produtos químicos industrializados. Nessas
condições surgem os Poluentes Orgânicos Persistentes que até bem pouco tempo
eram chamados Organoclorados. Esses produtos se apresentam como importantes
agentes tóxicos aos ambientes naturais e em especial ao desenvolvimento dos
organismos vivos.
Os Poluentes Orgânicos
Persistentes, conhecidos como POPs, são compostos altamente estáveis e que
persistem no meio ambiente, resistindo à degradação química, fotolítica e
biológica. São tóxicos para os seres vivos, pois tem a capacidade de
bioacumular-se, são também, em sua maioria, lipofílicos distribuindo-se assim
no interior das membranas celulares e depósitos de gorduras. Os POPs atuam
negativamente também nos sistemas reprodutivo, imunológico e endócrino, sendo
também apontado como cancerígenos. As propriedades dos POPs lhes conferem a
capacidade de causar danos ambientais mesmo em baixas concentrações, dentre as
quais, destacam-se:
· Sua estabilidade, e, portanto
persistência, faz com que seus efeitos perdurem e que possam ser largamente
dispersos antes de se decomporem;
· A bioacumulação que ocorre pela sua
solubilidade em gorduras favorece sua acumulação nos tecidos;
· A biomagnificação decorre da sua
capacidade de aumentar a sua concentração na direção do topo da cadeia
alimentar;
· A sua capacidade de transporte a longas
distâncias, consequência de sua estabilidade, processo conhecido como
lixiviação.
Os
POPs até hoje identificados, pertencem a três categorias de substâncias:
1)
Os inseticidas deliberadamente dispersos em terras agriculturáveis;
2)
Os produtos industriais cuja dispersão ambiental foi não intencional e;
3)
Os subprodutos de vários tipos de manufaturas ou processos de combustão;
As
primeiras evidências do perigo potencial destes compostos surgiram há mais do
que 50 anos atrás quando foram descobertos resíduos de DDT em tecido adiposo
humano e no leite materno. De lá para cá, foram muitos os relatos de aplicações
destes produtos em diversas áreas da indústria, da agricultura, etc. Os POPs
tornaram-se contaminantes comuns nos peixes, nos laticínios e em outros
alimentos em escala mundial. Graças a sua propriedade de se acumular no tecido
adiposo, provavelmente um sem número de pessoas pode ter estoques de POPs em
seus corpos capazes de causar sérios problemas de saúde no seu aparelho
reprodutivo, no seu sistema imunológico, desenvolverem câncer e, quando
crianças apresentarem problemas de desenvolvimento.
Como
fatos a nosso favor destaca-se que estes compostos não são mutagênicos, os
efeitos de sua exposição podem ser revertidos. Além disso, cresceu consideravelmente
o interesse científico neste assunto conforme atestam o grande número de
publicações científicas. Ações intergovernamentais também se intensificaram nos
últimos anos, tendo culminado na Convenção de Estocolmo que resultou na
proibição de 12 POPs nos processos industriais (DDT, Aldrin, clordano, Dieldrin, Endrin, Heptacloro,
Mirex, Toxafeno, Bifenilas Policloradas, Hexaclorobenzeno, Dioxinas e Furanos).
Porem,
de acordo com o Greenpeace, existem numerosos outros POPs que também são
contaminantes ambientais e trazem grande preocupação. O pentaclrofenol, os
retardadores de chama bromatados, os compostos organotínicos (usados como
agentes antiincrustantes em navios), as parafinas cloradas de cadeia curta
(usadas, por exemplo, em óleos de corte em metalurgia e como lubrificante.
GREENPEACE, 2001.
Os
seres humanos podem ser expostos aos POPs através da alimentação, de acidentes
e através da poluição ambiental. Algumas atividades de alto risco englobam a
agricultura e a manipulação de resíduos perigosos. Por outro lado, deficientes
condições de trabalho; falta de formação e a utilização de equipamento
inadequado, são aspectos que fazem com que os riscos de exposição dos
trabalhadores da indústria química sejam elevados. Nos últimos anos, houve
registros de casos de exposição à POPs, que têm resultado num grande número de
doenças e mortes.
Na próxima
postagem faremos uma listagem dos principais POPs apresentando as suas
estruturas químicas, suas aplicações e os efeitos do acúmulo destes na espécie
humana.
Referências bibliográficas
FRUTUOSO,
A; SILVA, M. Poluentes Orgânicos
Persistentes. AEP – Ambiente, 2001.
POLUENTES
ORGÂNICOS PERSISTENTES: POLUIÇÃO INVISÍVEL E GLOBAL. http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/poluentes.pdf
O blog foi claro ao explanar que os POPs são poluentes estáveis e que apresentam um alto poder de magnificação trófica, ou seja, se acumula a cada nível da cadeia alimentar. Se espalha pelo ambiente, e através da lixiviação pode atingir rios e lençóis freáticos, atingido diretamente ou indiretamente, ao comer peixes contaminados, o ser humano. E pode, até, ser prejudicial a recém-nascidos, já que também já foi noticiado de leite materno também ter sido contaminado. Espero pelas próximas postagens.
ResponderExcluirAchei muito interessante essa postagem sobre os POPs, sobre como eles se espalham elo ambiente atingindo rios e lençóis freáticos, mas principalmente sobre seu poder de magnificação trófica, ou seja, eles n se degradam, vão se acumulando ao longo das cadeias alimentares, sendo que os níveis mais elevados acabam por ser os mais afetados. Isso é muito ruim para o próprio ser humano, que se encontra do topo de inúmeras cadeias alimentares, sendo portanto um dos mais afetados com intoxicação pelos POPs. Aguardo postagens futuras.
ResponderExcluirOs poluentes orgânicos poluentes devem ser banidos e precisam ser considerados fatores de extremo risco ambiental e de segurança. O grande problema do seu uso é o seu caráter lipofílico ou a capacidade de se solubilizar em gorduras, o que facilita o seu acúmulo nos organismos humanos, e a passagem destes pela membrana celular. Não obstante, a sua magnificação trófica, que nada mais é que o acúmulo da substância ao longo da cadeia alimentar, em que o ser humano ocupa quase sempre o topo.
ResponderExcluirOs POPS podem ser absorvidos indiretamente por meio da água e dos alimentos contaminados, além de oferecer riscos para quem o manuseia sem os EPI´s (Equipamentos de Proteção Individual) adequados. Além disso, são transportados pelo sangue e metabolizados no fígado, o que propicia uma contaminação generalizada, resultando em sintomas dos mais variados, desde vômitos, náuseas ao desenvolvimento do câncer pela indução das células do corpo.
É necessária a regulamentação desses poluentes, tornando o seu uso restrito a pessoas especializadas e capacitadas para o seu manuseio. E claro, é imprescindível que haja uma conscientização dos agricultores, por exemplo, e de diversos outros trabalhadores dos mais variados segmentos, de que há diversas formas de se controlar pragas ou ervas daninhas na produção, como o próprio controle biológico
Bem lembrado pelo blog, o quanto um procedimento danoso ao ambiente pode nos prejudicar indiretamente, isso é corriqueiro, mas quanto aos POP's, o risco é significativo, pois acarreta em uma contaminação de toda uma cadeia alimentar, em que o ser humano como topo da cadeia pode sair bem prejudicado ao utilizar a água ou algum alimento contaminado, pelo fato dessas substâncias serem lipofílicas, e ao se solubilizarem em gorduras, se depositam facilmente no organismo humano.
ResponderExcluirOs POP's podem representar um risco direto a quem cuida do seu manuseio, portanto devem utilizar devidamente os Equipamentos de Proteção Individual para evitar contaminações.
E deve-se buscar outros métodos que substituam o uso dos POP's e meio de descarte adequado aos mesmos.
Muitas vezes utilizamos inseticidas pensando somente nos benefícios que trazem ao combater os insetos, porém o blog trás uma perspectiva interessante ao apresentar o outro lado da moeda. O uso de POPs pode causar sérios danos ao ser humano, e em certos casos de intoxicação crônica pode ocasionar a morte.
ResponderExcluirÉ uma situação preocupante. O uso desses produtos deveria ser mais controlado e os malefícios que podem causar deveriam ser melhor informados.
Parabéns pela postagem! Aguardo as próximas.
Os POP's apresentam alta toxicidade sobretudo pelas suas características apresentadas como bioacumulação e pelo tempo de "desgaste", como no Mercúrio, que é descartado em rios e oceanos, depositam-se no fundo destes, são absorvidos pelas águas e dessa forma entram na cadeia alimentar, aumentando a cada nível a potencialidade tóxica trófica.
ResponderExcluirApesar da alta eficiência de alguns POP's, nem sempre é ideal a sua utilização, pois acarretará consequências drásticas ao ser humano, necessitando assim de novas alternativas capazes de sanar as problemáticas utilizadas com produtos mais benéficos ao meio ambiente.
Os POP's são realmente produtos altamente tóxicos para o meio ambiente e para a saúde das pessoas, pois eles afetam de forma direta ou indireta a cadeia alimentar. No post ficou claro as propriedades dos POP's e algumas áreas em que eles atuam, como na agricultura, assim como problemas que eles podem causar para a saúde da população.
ResponderExcluirAcho importante dizer que esses produtos são frutos da modernidade, do processo industrial em que se busca atender os anseios da sociedade capitalista. Eles trouxeram benefícios, mas também acarretou sérios problemas para o meio ambiente e para o homem.
Como não se pode parar o progresso, acho importante que se busquem novas tecnologias para que se possa obter produtos menos poluentes como por exemplo os biodegradáveis.
É incrível como uma mesma ação humana pode trazer grandes benefícios e prejuízos, tornando o que deveria vir para o bem em problema. O texto mostra muito bem essa realidade ao ressaltar o uso dos POPs que em muitos casos sao usados para aumentar a produtividade, como na agricultura, gerando mais alimentos e fortalecendo a economia, mas que ao mesmo tempo libera uma toxidade extremamente alta e prejudicial, que faz com que sua utilização na valha a pena.
ResponderExcluirInfelizmente a ganância do empresariado faz com que ainda se mantenha essa prática.